Autopista Litoral Sul: o inverno dos direitos

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Uma nova cena abre novamente a novela da duplicação da BR 101, sentido sul em Santa Catarina. Uma ação de despejo na Palhoça/SC pela duplicação da rodovia, atingindo comunidades indígenas e moradores, prejudicarão toda uma região conurbada em comunidades. O descaso dos governos federais, estaduais e municipais compromete a vida de trabalhadoras e trabalhadores que não podem voltar para o aluguel e nem trabalhar nas proximidades.

Os primeiros atingidos foram as comunidades indígenas do Morro dos Cavalos, em Palhoça onde moradores foram desapropriados de suas terras que ainda são questionadas como área demarcada pela Funai. A questão da demarcação de 1.983 hectares pela Funai ainda gera resistência dos movimentos sociais e uma acirrada disputa das elites locais que visam interesses lucrativos na região. Toda a área, composta de comunidades indígenas, pescadores e pequenos agricultores são ameaçados de desapropriação. Sem falar do intento de movimentação dessas empresas em jogar a discórdia entre moradores e comunidades indígenas em relação às terras.

O crescimento da região alavancada pelo ritmo do mito da atração turística “natural” da capital catarinense e pela vitrine de melhor IDH do país e qualidade de vida, evidencia um rápido processo de aceleração do setor privado causando verdadeiros impactos na exclusão social de comunidades nativas inteiras, gerando bolsões de pobreza. O avanço da urbanização descontrolada refletem como o uso e ocupação do solo é administrado. A inércia de políticas públicas em relação ao uso e ocupação do solo urbano caracteriza seu atrelamento com o setor privado.

Nesse contexto, as desapropriações desse empreendimento, Trecho Sul, entre Florianópolis/SC e Osório/RS, está sendo administrado por mãos estrangeiras, como a Autopista Litoral Sul, “uma das nove concessionárias da Arteris, concessão que administrará e conservará o trecho por 25 anos, em leilão realizado em 9 de outubro de 2007, com contrato assinado em 14 de fevereiro de 2008 e prevê investimentos de R$ 3,1 bilhões durante sua vigência de 25 anos, incluindo a operação das rodovias.” (site da Autopista Litoral Sul)

Esta empresa multinacional pertence à Obrascon Huarte Lain S/A (OHL). Trata-se de um grupo de construtores e de concessões da Espanha que detém 60% da OHL Brasil. A Obrascon é a maior companhia em extensão de rodovias administradas no Brasil tendo como subsidiárias listadas: Autovias, Centrovias, Intervias, Vianorte, Autopista Planalto Sul, Autopista Litoral Sul, Autopista Fluminense, Autopista Fernão Dias e Autopista Régis Bittencourt.

E a Autopista Litoral Sul faz essa ligação Curitiba-Florianópolis, composta por trechos do contorno de Curitiba, pela BR-376 entre Curitiba e a divisa entre os estados do Paraná e Santa Catarina, e pela BR-101 até Palhoça, na Região Metropolitana de Florianópolis. Nove concessionárias do grupo administram rodovias nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro onde vivem 43% da população que resultam em aproximadamente 65% do PIB do Brasil. Ou seja, um lucro acima da média, já que suas veias rodoviárias chegam estrategicamente nos principais pólos de alta tecnologia e de agronegócios do Brasil.

Processos de desapropriação já se iniciaram na região e no entorno de todo o projeto das concessionárias. Comunidades como do Pontal, às margens da BR-101/SC, no
município de Palhoça/SC, onde ocorreram perdas sociais irreversíveis. Precisamos avançar no fortalecimento das frentes de resistência ao chamado “progresso” que vem passando autoritariamente por cima de leis, de planos diretores (quanto existem ou a sociedade civil é consultada), sem esquecer de projetos mirabolantes de Eike Batistas sobre resorts de alto nível na Enseada do Brito e nos municípios de Garopaba e Paulo Lopes (megaempreendimentos de aereoportos, marinas, etc). Tudo em nome do desenvolvimento e do progresso urbanizado.

Quanto vale uma moradia (teto, acesso á cidade, saneamento básico, educação, serviços básicos, mobilidade)? Quanto vale uma autopista?

Povo mobilizado em Palhoça pelo direito à moradia na contramão das remoções na Grande Florianópolis!

Mais casas e menos politicagem!!

FRENTE AUTÔNOMA DE LUTA POR MORADIA

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/OHL

http://horadesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/geral/noticia/2015/06/contorno-viario-tres-ordens-de-despejo-em-palhoca-sao-suspensas-pela-justica-4777825.html

http://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/261746-justica-definira-indenizacoes-de-propriedades-atingidas-pelo-contorno-viario-de-florianopolis.html


1º de Maio, o dia em que a classe trabalhadora ergueu sua bandeira

“Era trabalhador, pegava o trem lotado
Tinha boa vizinhança, era considerado
Todo mundo dizia que era um cara maneiro
Outros o criticavam porque ele era funkeiro
O funk não é motivo, é uma necessidade
É pra calar os gemidos que existem nessa cidade
Todo mundo devia nessa história se ligar
Porque tem muito amigo que vem pro baile dançar
Esquecer os atritos, deixar a briga pra lá
Mas naquela triste esquina, um sujeito apareceu
Com a cara amarrada, sua mão estava um breu
Carregava um ferro em uma de suas mãos
Apertou o gatilho sem dar qualquer explicação
E o pobre do nosso amigo, que foi pro baile curtir
Hoje com sua família, ele não irá dormir!

Era só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família” – Rap do Silva, MC Marcinho

falm 001Esta data tão importante para os bilhões de trabalhadoras e trabalhadores que existe no mundo, virou mais um feriado como qualquer outro. Pior, em alguns casos, uma festa. Por causa disso, nós da classe trabalhadora, lutadores sociais contra todas as formas de exploração e opressão, dizemos que não! Chega de escravidão assalariada, chega de pobreza e miséria, que dia-a-dia nos condicionam cada vez mais às piores condições humanas. Todas as lutas e bandeiras devem se juntar num só punho e gritar neste BASTA!

A batalha cotidiana, de mulheres e homens, jovens e idosos, negros, índios, sem-teto, sem-terra, estudantes, em que muitos perderam suas vidas mas ganharam nosso respeito e força. Nossa sociedade é o resultado do sistema capitalista que apenas reproduz mais misérias. O Estado e o Capital nos prometem qualidade de vida, mas nos dão desigualdades sociais.

A Frente Autônoma de Luta por Moradia se mobiliza com os mais oprimidos pelo sistema e chama a todas e todos a resistir contra a lógica do Capital, à política de segregação, pela falta de moradia, terra, trabalho e contra a repressão do Estado.

Dia de memória e luta
Pela construção do poder popular

Se não há igualdade para os pobres
Que não haja paz para os ricos
Roda a baiana, fala mais alto
Desce do morro e ocupa o asfalto

FRENTE AUTÔNOMA DE LUTA POR MORADIA


Entrevista com o professor Werner Kraus, sobre o trasporte público de Florianópolis

Entrevista com o professor Werner Kraus Junior sobre o aumento das tarifas em Florianópolis, construção do teleférico e sobre a proposta de tarifa zero.

Werner Kraus Junior é professor no Departamento de Automação e Sistemas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e dedica-se à pesquisa em engenharia de tráfego, principalmente nos temas ligados ao transporte público.

Entrevista com o professor Werner Kraus, sobre o trasporte público de Florianópolis. from Vinicius (Moscão) on Vimeo.

Protestar não é crime! Contra a criminalização dos pobres e dos movimentos sociais!

As Jornadas de Junho de 2013 marcaram para sempre dias de luta popular em todo o país, com colossais manifestações e o povo nas ruas. O poder público, munido de forte aparato repressivo exerceu sua função desrespeitando direitos conquistados pela luta das trabalhadoras e dos trabalhadores, perseguindo militantes de movimentos sociais e estudantes. Cumprindo sua agenda de militarização, entende-se mapeamento e incriminações, em todas as capitais o 1° de abril foi relembrado para refletir sobre os efeitos do golpe civil e militar de 1964, onde denunciamos as ameaças que companheiros e companheiras vem sofrendo por parte da elite da Grande Florianópolis, grandes empresários, do ramo da especulação imobiliária, das corporações militares, estaduais e federais e de políticos corruptos.

Praticamente após as ocupações organizadas na Grande Florianópolis, a grande massa de famílias de sem-teto, intensificando a luta por moradia, por terra, por trabalho e por melhores condições de vida, vem pressionando o Estado a tomar uma atitude. O fortalecimento dos movimentos sociais de perspectiva transformadora, nos últimos meses, vem enfrentando ameaças na tentativa de desestabilizar as lutas dos movimentos sociais combativos.

Santa Catarina, especialmente, é um dos estados mais conservadores do Brasil, e por isso, a lógica política vem sendo consequentemente a da repressão com forte cunho político e ideológico. Os movimentos sociais em luta não podem deixar de denunciar estes abusos e a formação de um Estado de Exceção em plenos direitos democráticos. Protestos populares são tratados como crime. A desmilitarização das polícias deve ser levada à discussão para toda a sociedade. Todo apoio às ocupações urbanas que estão ameaçadas pelo poder público, estudantes que estão sendo perseguidxs após a ocupação da reitoria da UFSC, sindicatos que sofrem processos pelas greves, por tudo isso, a Frente Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais, está reunindo entidades, movimentos, coletivos, organizações e partidos de esquerda, para este ato.

Toda solidariedade e apoio! Estamos de olho às ameaças!

Abaixo o terrorismo de Estado!
Contra a criminalização dos pobres e dos movimentos sociais!
Protestar não é crime!

NÃO SE INTIMIDAR,
NÃO DESMOBILIZAR.
RODEAR DE SOLIDARIEDADE AS/OS QUE LUTAM!

FRENTE AUTÔNOMA DE LUTA POR MORADIA


Campanha do Agasalho para Ocupação Palmares

A Frente Autônoma de Luta por Moradia está lançando esta campanha em vários pontos da cidade para que pela rede de apoio e demais setores sensibilizados se solidarizem. As famílias ficarão gratas e aquecidas com casacos, sapatos, acessórios para frio (adulto e infantil) e principalmente cobertores.

Alguns pontos de coleta já estão funcionando antes da campanha:
- DAOM e DART na UDESC
- CALCS, CALIGEO e CALPE na UFSC.

Rede de Apoio – FALM

frenteautonoma@riseup.net

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FALM Convida!

Mesa de Debate a “Luta por Terra e Moradia na Grande Florianópolis” com Frente Autônoma de Luta por Moradia – FALM, MUP, Ocupação Contestado, Ocupação Palmares e Ocupação Amarildo.
Quando: 13.03 (Quinta-Feira)
Horas: 18hs
Onde: Auditório – FAED/UDESC

 

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Nota de repúdio à matéria do Notícias do Dia

(Matéria no link: http://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/148022-floram-e-tropa-de-choque-derrubam-casa-no-macico-do-morro-da-cruz.html)

Muito ruim esta matéria tendenciosa do Notícias do Dia/RIC que além de desinformar a população sobre a situação dos moradores e moradoras do Maciço do Morro da Cruz, que há mais de um ano tentam dialogar e fechar um acordo com a PMF, tem suas portas fechadas porque são pobres e marginalizadas. Além disso, o que está sendo veiculado não é verdade. Em primeiro lugar, a área não é APP como afirma o título, já que não se sabe o que caracteriza o terreno pois não há leitura técnica comprovada. Este terreno já foi destinado para moradia popular via obras do PAC2 – mas nada foi feito até hoje! Em segundo lugar, jamais houve sequer uma notificação ou “mandato administrativo” como afirma o fiscal da Floram (reproduzido incontesti pelo Comandante da PM) naquele espaço. Todas as invasões da PM e as destruições das casas estão sendo feitas sem mandado judicial ou do poder executivo, o que demonstra uma total irregularidade no trâmite operacional por parte do Estado. É inaceitável que uma força truculenta de mais de 10 camburões, tropa de choque e PM venham apontar fuzis e cacetetes contra uma população desarmada, crianças e famílias inteiras. Na tarde de sábado, a PM usou da sua força para agredir moradoras e moradores com balas de borracha, spray de pimenta e cacetadas. Violência efetivada sobre famílias que apenas protestavam com justa causa. Um morador (pastor) teve sua cabeça atingida por um cacetete onde sofreu mais de 5 pontos, que deu entrada contra a violência ocasionada. Jamais houve um único papel assinado permitindo derrubar casas, pelo contrário, há “apropriação indevida” das madeirasm, eletrodomésticos e utensílios pessoais sem devolução permitida por parte dessas operações. É lamentável verificar que, como sempre, a política do governo é de se negar a dialogar com os mais necessitados e, em troca, saber que Florianópolis possui um dos déficits mais altos em questão de moradia no país, vide Moeda Verde, novo “Plano Diretor”, e toda uma rede de corrupção e especulação provinda contra àqueles que menos tem acesso às necessidades básicas.

Mais dramático ainda é saber de longa data que o critério de jornalismo destas mídias locais é sempre descaradamente parcial em prol da elite dominante. Sabemos que não há imparcialidade, mas deveriam ao menos agir com ética, um dos compromissos da função jornalística. Revejam seus critérios!

PALMARES RESISTE!

Frente Autônoma de Luta por Moradia (FALM)


Ação ilegal da FLORAM e PM em pleno carnaval

Hoje, em mais uma ação ilegal da Floram com o auxílio do efetivo da PM, o trabalho sujo foi terminado. A casa a qual tinham derrubado pela metade foi, nesta tarde, completamente destruída. Não bastasse isso, levaram (isto é, roubaram) todas as madeiras, móveis e eletrodomésticos dos moradores.

É esse o carnaval que a Prefeitura Municipal de Florianópolis propiciou para esses moradores: SEM CASA, SEM NADA.
Não há política de moradia, mas há política de despejo.
A PM segue na ocupação, neste exato momento.
O apoio jurídico e a militância da FALM estão lá.

“Se não há igualdade para os pobres, que não haja paz para os ricos!

PALMARES RESISTE!”

Fora PM do mundo!
Contra a criminalização dos movimentos sociais!
Lutar, criar, poder POPULAR!

 

 


Ameaças de morte na Ocupação Amarildo

SOMOS TODXS AMARILDO! Abaixo informe da Ocupação:

Comunicado 12

Ameaças aos lutadores do povo

A partir do dia 20 de fevereiro recebemos diversas ameaças de morte e sofremos um atentado contra nossas vidas. Denunciamos às autoridades competentes e também às mídias. Inclusive, enquanto a reportagem estava na Ocupação, três carros pararam em frente à porteira e fizeram diversas ameaças de armas em punho, só foram constrangidos pela imprensa e se retiraram.

Dias antes, numa saída ao mercado mais próximo, fomos atingidos quatro vezes na lateral de nosso carro, por outro carro que nos prensava contra o guardrail da pista. Sobrevivemos por dom do motorista, que não perdeu o controle. No dia seguinte, dois homens desceram do mesmo carro, em frente a Ocupação e mostraram munições de grosso calibre, ameaçando matarem todos os Amarildos.

Registramos boletim de ocorrência, informamos qual o carro e a placa. O delegado afirmou que tem como identificar os autores do atentado e das ameaças pelas câmeras da rodovia e também as das polícias que vigiam a Ocupação. Estamos aguardando!!!!

senhora amarildo