Por que o PT estragou com a sua vida, cidadão da classe média?

 

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Quando li esta frase estampada de uma figura no Facebook fiquei um tanto encucado.

Fiquei pensando, o quê desperta tanta rejeição nessas pessoas? afinal a vida delas realmente foi “estragada” pelo governo do PT?

Tenho muitas críticas ao governo atual. O pouco-caso com que trataram as reivindicações populares em Junho de 2013, a repressão na Copa, a falta de vontade politica para discutir assuntos como a dívida pública, democratização da mídia, taxação de grandes fortunas, descriminalização das drogas e do aborto, desmilitarização das policias e reforma prisional. Tudo isso me fez não votar em Dilma no primeiro turno.

Mas nenhuma dessas coisas parece importar para estas pessoas que menciono. Até porque elas nunca explicam muito bem de onde vem toda essa rejeição. Geralmente estas manifestações são emotivas e não vem acompanhadas de uma explicação. O “Fora PT” sai quase como um espasmo.

Seria a motivação a classe social?

Em geral a elite econômica do país possui uma aversão maior ao PT, pois o partido ainda encarna ideais de uma maior igualdade social para o país.

Mas falo da elite mesmo. Não falo de gente que come frango e arrota peru. Falo da seleta fatia de 1% da população que abocanha 17,2% de toda renda nacional.

Estas pessoas fazem de tudo para maximizar os ganhos de suas mega-empresas, fazendas, bancos e investimentos. E cá pra nós, nada mais natural que defendam os interesses de sua classe.

É interessante por exemplo que se propague aos quatro ventos que a inflação está nas alturas. Isto porque a elite financeira quer taxas de juros mais altas, para remunerar melhor os investimentos. Isto não é bom para a indústria e o povo em geral, pois o consumo cai. Mas é bom para os grandes capitalistas do mercado financeiro.

Banco central? quanto mais independência do governo eleito pelo povo melhor. Afinal de contas é o banco central que define as regras monetárias. É bom que a elite financeira (ou seus representantes) controle as regras monetárias para aumentar seus ganhos.

Para eles é interessante também que empresas públicas sejam vendidas para a iniciativa privada, desta forma podem expandir seus negócios para novos setores da economia e encontrar menor concorrência do Estado. Ai vale tudo, por exemplo induzir o governo eleito a sucatear empresas públicas e corromper agentes do Estado para vende-las a preço de banana.

Isto só para começar a conversa.

A questão é: a vida dessas pessoas que estão no topo da pirâmide social não piorou nos últimos 12 anos, muito pelo contrário. Nunca na história deste país os bancos privados lucraram tanto. O total de juros pagos pelo governo pela dívida pública aos grandes capitalistas é de 42% do orçamento do governo. E os grandes empresários, fazendeiros e investidores em geral estão ganhando muito dinheiro*, mesmo com a economia não crescendo tanto quanto gostariam.

Mas poderia ser muito melhor para eles. Esses 1% nunca estão e nunca estarão satisfeitos. E neste ponto as propostas de governo de Aécio Neves (PSDB) estão muito mais alinhadas com seus interesses.

Mas onde entram as pessoas com seu ódio antipetista nesta história?

Estas pessoas pertencem a classe média. Uma classe média que cresceu muito no Brasil nos últimos anos graças a uma politica de programas sociais (como a bolsa família), aumento do salário mínimo e redução do desemprego.

Muitas pessoas que entraram na classe média compraram o primeiro imóvel com financiamento de bancos públicos pelo Minha Casa Minha Vida, tiveram acesso ao ensino técnico pelo Pronatec e ao ensino superior através de cotas ou programas como o Prouni. Ou seja, foram beneficiados pelas politicas públicas do governo Petista.

Gosto de pensar no sistema de classes sociais como um condomínio de vários andares. Conforme sobe o andar, mais acesso a dinheiro, educação e cultura uma pessoa tem condições de ter.

Alguns dos habitantes antigos da classe média não gostaram dessas pessoas que chegaram “invadindo” seu andar. Estavam acostumados a fazer compras no Shopping sem aquela “tigrada” para fazer um rolézinho. Acostumados a estudar em universidades públicas sem disputar vagas com quem vem debaixo. Acostumados a frequentar aeroportos praticamente vazios, sem cruzar com o porteiro do prédio ou a empregada. Empregada que não tinha direitos trabalhistas assegurados. Além disso tiveram que começar a pagar um valor mais justo para aquele pedreiro ou pro cidadão que limpa o seu terreno. Ou seja, não estavam acostumados a dividir seus espaços com quem vinha debaixo e a pagar um valor mais valor justo para seus serviçais.

É uma classe média que se mata para pagar a prestação daquele apartamento ou do carro novo. Se mata para pagar o imposto de renda, o IPVA, o IPTU, a escola dos filhos, o cursinho dos filhos, o plano de saúde, o lazer e as compras no cartão de crédito. E por ai vai. Seja por necessidade, seja para ostentar pertencer a uma classe que não é a sua.

Tirando os pequenos privilégios que perdeu, essa classe média deveria ter muito mais afinidades com os problemas de quem “vive abaixo”. Afinal de contas, são os mais pobres que mais pagam impostos no Brasil. Já os nossos ricos são os que menos pagam impostos de todo o G20. Percebe a contradição?

Não seria melhor viver em um país mais plural, onde existe educação pública, gratuita e de qualidade para todos? Um país onde o transporte público valesse mais a pena do que andar de carro? Um país menos desigual, onde o risco de sofrer com a violência urbana fosse menor, e onde as oportunidades fossem melhores para todos?

Quem pagaria a maior parte da conta seriam aqueles do andar de cima. Sobraria mais dinheiro para viajar, compras coisas, curtir.

Isso não é uma utopia, é um conceito conhecido como Estado de bem-estar social, e está (ou esteve) presente em países Europeus, onde a classe média estuda em escolas e universidades públicas e usufrui de saúde pública e gratuita. E os ricos pagam a maior parte da conta. Talvez não seja a sociedade ideal, mas é muito melhor do que um mundo onde se paga até para respirar.

Mas não. Esta classe média da qual estou falando prefere colocar a culpa nos miseráveis pelo atraso do país. Considera o Bolsa Família um programa eleitoreiro de compra de votos (“bolsa esmola”, como definiu o PSDB em 2004). Acha que as mães dos pobres procriam como ratos para viver “mamando nas tetas” do governo, ganhando por mês oque que uma família de classe média gasta muitas vezes em uma ida a uma pizzaria ou em um chopp com os amigos.

Precisa convencer a si mesmo que é muito importante e diferente da “gentalha”. Padece da chamada Síndrome de Dona Florinda. Para quem não lembra a Dona Florinda é um personagem do seriado Chaves que se considera social, econômica e moralmente superior aos habitantes da vila.

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Critica o Estado como grande problema no Brasil, mas está lá estudando pra concurso púbico, porque pagam melhor do que na iniciativa privada e por causa da estabilidade no emprego.

Fala mal do Mais Médicos, mas sofre nas mãos dos planos de saúde. Critica que o governo de Cuba fica com a maior parte do salário dos cubanos mas não tinha pena da empregada que não ganhava salário-mínimo.

Exige educação, mas não sabe ou faz vista grossa para melhorias importantes na área, como a expansão das universidades federais e do ensino técnico e a definição de um piso nacional dos professores. Além de ficar contra os professores quando estes decidem entrar em greve em busca de melhores condições de salário.

Adora encher a boca para falar de corrupção e moralidade, mas sempre votou no que há de pior e mais atrasado na politica (Collor e Maluf são bons exemplos). Aliás, a corrupção é sistêmica, e atinge todos os grandes partidos do país e também (pasmem) empresas da iniciativa privada. Mas mesmo assim essa classe média engoliu muito bem o discurso da grande mídia que trata o PT como inventor da corrupção no Brasil.

Sei que são generalizações, mas boa parte dos comentários que vejo, inclusive de pessoas próximas, vão de encontro a estes pensamentos acima. Vejo inclusive que infelizmente parte da nova classe média também está assimilando este mesmo pensamento.

Não acho que seja por coincidência. Vivemos em uma país onde os meios de comunicação exercem uma influência poderosa na forma de pensar das pessoas. E via de regra, os meios de comunicação estão concentrados nas mãos de algumas poucas famílias do andar de cima que querem manter tudo como está. Para isto eles precisam instigar o ódio entre os vizinhos de baixo. Só para citar como exemplo a Família Marinho, dona da Globo, é a família mais rica do Brasil.

Mas podia ser diferente. Seria lindo se essa classe média, que tem acesso a uma educação de melhor qualidade, que tem mais influência, pressionasse rumo a uma sociedade mais igualitária, ao invés de abraçar novamente um modelo econômico conhecido como neoliberalismo, que quebrou o país várias vezes, gerou desemprego e privatizou o patrimônio público a troco de bananas. Seria lindo se esta classe média, por exemplo, deixasse de se preocupar com o pouco dinheiro que o governo gasta com programas sociais e se preocupasse mais com os 42% pagos em juros a bancos e especuladores para rolar a dívida pública.

Penso que chegou a hora da classe média parar de defender uma classe que não é a sua, e que está muito distante de ser. Não fazemos parte daqueles 1%, e dificilmente faremos.

*: com exceção de Eike Batista, que agora é um membro honorário da classe média.

Observação: A opinião do autor não manifesta de nenhuma forma a posição do coletivo Subversivxs em relação as eleições.

Oficina de Rádio Web 23/10

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Oficina de Rádio Web

  • Introdução a radiodifusão e aos diferentes tipos de rádios (comunitária, comercial, livre)
  • Rádios Web
  • Ferramentas para montar uma rádio na Web
  • Prática

Data: 23/outubro, às 18 e 30.
Local: Tarrafa Hacker Clube (arquitetura-UFSC)
Levar computador, se possível.

Hoje – Audiência Pública sobre a Ponta do Coral

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Hoje, dia 25 de agosto.

Atendendo a Política Nacional de Meio Ambiente bem como Resoluções nº 001/86 e 009/87 do CONAMA e 01/2006 do CONSEMA/SC, tornando obrigatório para atividades potencialmente geradoras de significativo Impacto Ambiental a elaboração do EIA/RIMA, a Secretária de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, LUCIA GOMES VIEIRA DELLAGNELO e o Presidente da Fundação do Meio Ambiente – FATMA, ALEXANDRE WALTRICK RATES, convidam Vossa Senhoria a participar da Audiência Pública para apresentação e discussão do Estudo Ambiental Complementar do Hotel Ponta do Coral, Município de Florianópolis, de responsabilidade da Empresa Hantei Construções e Incorporações Ltda.

DATA: 25/08/14

HORÁRIO: 19:00 horas

LOCAL: Sociedade Recreativa Esportiva e Cultural de Novo Horizonte

ENDEREÇO: Rua Paschoal Apóstolo Pítsica, nº 4900, Bairro Agronômica -

Florianópolis/SC.

O documento RIMA, continua à disposição para consulta na Biblioteca da FATMA, Rua Felipe Schmidt, nº 485, Centro, Florianópolis; na Biblioteca da Justiça Federal, Rua Paschoal Apóstolo Pítsica, nº 4810, Agronômica, Florianópolis; na Biblioteca Pública de Santa Catarina, Rua Tenente Silveira, nº 343, Centro, Florianópolis; na Sede da Associação Novo Horizonte, Rua Paschoal Apóstolo Pítsica, 4900, Agronômica, Florianópolis e no site da FATMA: www.fatma.sc.gov.br.

Fonte: http://desacato.info/ecologia/audiencia-publica-sobre-a-ponta-do-coral/

(fotos) Marcha das Vadias – 2014

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Urgente – Grupo Saravá está prestes a perder seu principal servidor!

ATAQUE POLICIAL À PRIVACIDADE PODE OCORRER DEPOIS DE EVENTO NETMUNDIAL.

Por conta de um processo que corre em segredo de justiça contra a Rádio Muda, a mais antiga rádio livre em operação no Brasil, o principal servidor do Grupo Saravá poderá ser apreendido nesta próxima segunda-feira 28/04 às 13:00.

A Rádio teve seus equipamentos apreendidos mais uma vez em 24 de fevereiro deste ano[1]. Na esteira desse processo, a procuradoria do Ministério Público Federal prosseguiu o inquérito, desta vez mirando os dados disponíveis no site da rádio que possam identificar seus participantes. Uma requisição do MPF assinada pelo Procurador Edilson Vitorelli Diniz Lima formalizou o pedido.

O servidor do Grupo Saravá que está localizado na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, hospedava a plataforma radiolivre.org, incluindo o site da Rádio Muda – muda.radiolivre.org, e hospeda outros diversos projetos de pesquisa e de extensão, relacionados além da Unicamp a outras universidades públicas brasileiras.

O Saravá é um grupo de estudos que há dez anos oferece infraestrutura tecnológica, reflexão política e sistemas de comunicação autônomos e seguros de forma gratuita a grupos de pesquisa e movimentos sociais[2]. Em 2008 um dos seus servidores já foi apreendido e até hoje não foi devolvido[3].

Agora, em 2014, logo após a aprovação do Marco Civil da Internet [4] e a realização de uma conferência mundial sobre a internet na qual o Brasil tentou figurar como bastião da proteção da liberdade na internet, nos deparamos com mais uma tentativa de sequestro de dados, prejudicando a privacidade de projetos de pesquisas e o livre acesso a informações com o fechamento de listas de discussão, sites e ferramentas.

Julgamos desproporcional a quebra de sigilo de comunicação para os fins do inquérito do MPF. Ademais, o servidor não possui registros que possam identificar usuários/as como parte de sua política de privacidade[5].

Pedimos solidariedade a todos os grupos, indivíduos e instituições que lutam por uma sociedade e uma internet livre. Na próxima segunda-feira 28/04 às 13h haverá uma manifestação na frente do prédio do Centro de Processamento de Dados do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, todo apoio é bem vindo.

Pela internet, haverá manifestação em redes sociais e através do envio de mensagens de repúdio ao Ministério Público Federal. Hashtags: #SaravaLivre, #netmundial1984, #sarava, #privacidade, #OurNetMundial, #marcocivildainternet

Exigimos a imediata interrupção das investidas policiais contra o servidor do Grupo Saravá e os dados dos/as usuários/as.

[1]http://intervozes.org.br/fechamento-da-radio-muda-e-mais-um-atentado-contra-a-liberdade-de-expressao-no-brasil/
[2] Princípios do Saravá: https://www.sarava.org/pt-br/principios
[3] Sequestro do Saravá em 2008: https://www.sarava.org/pt-br/node/44
[4] Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm
[5] https://www.sarava.org/pt-br/privacidade

A quem interessa o confronto na UFSC?

Nesta terça-feira a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi o palco de um confronto grotesco. De um lado a polícia federal e a polícia militar. De outro, estudantes e professores.

O motivo? a prisão de um aluno da geografia com 5 baseados e a resistência dos alunos e professores contra a prisão.

Este fato trás a tona debates muito atuais, como a questão das drogas, da ação policial  e da segurança no campus da universidade. Mas não pretendo misturar os assuntos.

Minha grande dúvida é: A quem interessa o confronto que houve na UFSC?

Em primeiro lugar, porque houve o conflito?

Este vídeo mostra muito bem que houve uma tentativa de negociar uma saída pacifica, feita pelo professor Paulo Pinheiro. Que foi prontamente negada pelo delegado da PF, Paulo Cassiano Júnior.

Nenhum delegado é tolo em achar que uma ação policial no centro mais politizado da universidade ia passar batido, que não ia ter consequências politicas e midiáticas de grandes proporções. Mesmo assim o delegado seguiu em frente e afiou os machados. O confronto era só questão de tempo.

Em seguida o tão esperado confronto: tropa de choque da PM acionada, bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, spray de pimenta na cara do sujeito que tentou negociar uma saída pacífica, carros virados, patrimônio público destruído pelos manifestantes e pelos próprios policiais. Tudo do ladinho do Núcleo de Desenvolvimento (NDI), cheio de crianças.

Quais foram os resultados deste conflito?

No dia seguinte não faltavam notícias sobre o confronto. Era só acompanhar os comentários nos sites de notícia corporativos e redes sociais para ver a divisão de opiniões, com destaque para o ódio nas palavras dos setores mais conservadores da sociedade. Ódio contra os “maconheiros vagabundos”, os “baderneiros”, “comunistas” e os aplausos elogiando uma ação da policia  brutal e sem nenhuma necessidade. O circo estava montado para que Moacir, Veja, Prates e outros brucutus começassem a caça as bruxas.

A reação da reitora Roselane foi emitir uma nota oficial de repúdio, informando que não havia sido informada da ação policial e rejeitando a truculência e intransigência da ação da policia. Depois saiu um documento informando que a UFSC sabia da investigação sobre o tráfico de drogas na Universidade. Mas uma coisa é investigação, outra é uma ação com uso de força da policia.

A reação dos estudantes foi ocupar a reitoria, para pressionar a reitora a tomar medidas contra a ação da policia e cobrar melhorias na segurança do campus.

O Delegado rebateu a reitora em uma coletiva de imprensa, dizendo que faltou a ela “pulso firme”, acusando-a de querer “angariar dividendos políticos” querer transformar a UFSC em uma “república de maconheiros”. Ou seja, uma crítica raivosa, diferente dos tão comuns “discursos padrão” dos delegados, que tentam ser os mais neutros e técnicos possíveis, além de cheios de dedos com outras autoridades.

A ocupação da reitoria terminou com um conjunto de pautas que inclui promessas de melhoria da segurança no campus. Ao mesmo tempo, estudantes conservadores contrários a ocupação fizeram a sua manifestação. Se colocando como “estudantes das engenharias contra os maconheiros”.

Quem sai ganhando nessa história toda?

Primeiro é preciso refletir o que representou a vitória de Roselane e Lucia (vice-reitora) para a reitoria em 2012. Foi a primeira vez que alguém da oposição, com um discurso mais próximo “da esquerda” ganhou a disputa. Até então a UFSC era dominada pelos mesmos grupos de poder, ligados a burocracia da Universidade e a maçonaria: “a direita”.

Ou seja, deve ter gente graúda de olho no poder, nas próximas eleições em 2015…

Com esse rolo todo a universidade saiu mais dividida do que antes. Sempre houveram rixas entre “os dois lados do rio”. De um lado o “primo rico” representado pelo centro tecnológico (CTC) e da saúde (CCS), com muita grana do setor privado, e de outro lado os primos pobres, todos aqueles pelos quais o mercado não tem tanto interesse assim. Não dá pra generalizar que todos de um lado tenham a mesma posição politica, mas em geral, um lado tende à esquerda e o outro à direita.

Para ganhar na reitoria, só tendo apoio do CTC e CCS. Por isso a Lucia (vice-reitora) é importante, por ser do CTC ela faz o contraponto com a Roselane, do CFH (onde foi feito o ataque da policia).

Portanto, para permanecer no poder a reitoria vai ter que agradar gregos e troianos, e provavelmente vai ter que agradar principalmente o lado mais conservador se quiser continuar com os votos do CTC e do CCS.

A sociedade em geral que acompanhou todo esse rolo também está mais dividida. Mas como Florianópolis é uma cidade conservadora, creio que saiu perdendo a “reitora que defende maconheiros” da ação corretora e pedagógica da nossa policia. Afinal a Universidade não deve ser “um antro de vagabundos e baderneiros”. Na Universidade “aluno deve estudar e professor deve dar aula”. Simples assim.

E tudo isso a apenas alguns dias dos 50 anos de um golpe militar que instalou uma ditadura no Brasil. Onde Universidades eram invadidas pela policia politica para prender professores e alunos subversivos  e combater o pensamento crítico em geral.

É, a Ditadura deu muito certo.  Ainda está na cabeça de muitas pessoas.

Uma manhã de esperança na Lagoa

Florianópolis, 22 de Março de 2014.

Não é a marcha da “família” pedindo socorro pros militares implantarem outra ditadura.

Enquanto alguns apostam em um retrocesso, e são saudosos de um passado de torturas, censura, assassinatos e perseguição politica, outros preferem sair na rua para defender os interesses da sua comunidade, a Lagoa da Conceição.

Manifestantes foram as ruas ontem de manhã para cobrar do poder público saneamento básico, a revitalização da praça, a construção de ciclovias. Enfim, uma maior qualidade de vida em uma cidade que está se tornando cada vez menos humana. Indignados, eles esperam a mais de 1 ano resposta da prefeitura.

Foi lindo ver pessoas de todas as idades na rua, organizadas, exigindo seus direitos. Um contra-ponto as viúvas e viúvas da ditadura em pleno sábado de manhã…

Manifestação da Comunidade da Lagoa da Conceição

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