Quando feministas são usadas pelas tecnologias patriarcais

O texto que segue foi extraído da cartilha Reação Patriarcal contra a Vida das Mulheres – debates feministas sobre conservadorismo, corpo e trabalho.

Título e comentário inicial de furi@:

Vamos falar sobre uso das redes sociais, intolerância e apropriação dos nossos movimentos pelo Patriarcado Capitalista? Quando deixamos de usar as tecnologias com inteligência e senso crítico, e passamos a ser usadas por essas empresas e manipuladas por seus algorítimos que incitam a violência online e a fragmentação dos movimentos, criando inclusive ambientes políticos tóxicos e agressivos? Vejam este trecho da cartilha da SOF que fala sobre Conservadorismo e Backlash Patriarcal:


A Tecnologia não é neutra

Na América Latina, o uso das redes sociais e das novas tecnologias cresce muito mais rápido do que a justiça e a igualdade.
Esse uso é permeado, portanto, pelas dinâmicas de desigualdade e exclusão. Os sites, aplicativos, redes sociais e plataformas funcionam por meio de algoritmos, programados para processar uma quantidade muito grande de informações que cedemos quando utilizamos a internet. O algoritmo é uma sequência definida de instruções e procedimentos que devem ser seguidos para executar tarefas e solucionar problemas nos programas de computadores e celulares. É como a construção de um prédio, onde são definidos os passos que devem necessariamente ser seguidos para chegar ao resultado definido.

Os algoritmos programados pelos funcionários das grandes empresas correspondem aos interesses particulares
delas e reproduzem uma série de estereótipos e preconceitos.

O problema não é a tecnologia em si. Se usada para atender o interesse coletivo, a tecnologia facilita o trabalho e
aproxima pessoas. Mas essas empresas direcionam a tecnologia para servir aos modelos capitalistas de negócios, que tratam a nossa vida como mais uma mercadoria para aumentar seu lucro. Desta maneira, reproduzem e aprofundam as desigualdades da sociedade capitalista, racista e patriarcal.

Pelo menos quatro problemas muito graves estão relacionados a isso:

Cada vez mais, as cidades, as casas e espaços em geral possuem câmaras de vigilância em nome da garantia da segurança. A tecnologia destas câmaras são propriedade de empresas privadas que, em alguns casos, atuam em parceria com o poder público. Com isso, as empresas têm uma alta capacidade de coletar informações sobre a vida das pessoas, seus deslocamentos e companhias, suas atividades privadas, públicas e políticas. São várias as denúncias do racismo que orientam os algoritmos programados para alertar quando existe a presença de pessoas ou atividades “suspeitas”. Quem definiu o que é uma atividade suspeita? Ou como se parece uma pessoa suspeita?

O fato de que nossos dados estão todos armazenados por empresas privadas e governos faz com que hoje se configure um processo de vigilância em massa. Se, antes, era necessário um aparato muito caro para espionar a conduta de cidadãos, hoje basta ter um celular no bolso para que sejam gravados os áudios e imagens da nossa vida cotidiana. Isso é útil não apenas para a publicidade, mas para a criminalização dos movimentos sociais e de qualquer pessoa cuja conduta seja desviar das leis, por mais injustas que algumas leis possam ser.

No caso das redes sociais, os algoritmos também escolhem os assuntos e pessoas que mais aparecem para cada usuário, filtrando conteúdos de acesso de acordo com cada comportamento na internet. Por exemplo, se curtimos, compartilhamos e comentamos as postagens de determinadas pessoas, provavelmente elas e pessoas parecidas a elas irão aparecer com mais frequência na nossa linha do tempo. Quando olhamos análises das redes sociais sobre temas da política atual, vemos que, ao invés do debate e da troca de informações, existem bolhas que não dialogam entre si. Desta maneira, as pessoas vão convivendo cada vez mais com gente muito parecida com elas. Não por acaso, temos visto tanta dificuldade e agressividade de lidar com as diferenças e com as divergências políticas. Cresce a banalização do ódio e a falta de capacidade para o diálogo, que é um pressuposto da vida na democracia. Torna-se comum a ideia de banir quem tiver outra opinião, outra forma de viver a sexualidade, outra classe ou outra cor. E assim vai se tecendo uma lógica de autoritarismo e intolerância muito perigosa, que prepara culturalmente as pessoas para encararem o fascismo com naturalidade.

Os algoritmos das redes sociais censuram alguns conteúdos e permitem outros. Quem decide isso? Lembramos, de novo, de casos recentes, em que as fotos de mulheres onde apareciam seios – seja quando fosse parte da cultura indígena, ou quando retratasse mulheres amamentando – foram retiradas automaticamente do Facebook. Por outro lado, os perfis, grupos e comunidades que incitam o ódio e a violência contra as mulheres sempre são denunciados por muita gente, muitas vezes, e mesmo assim continuam no ar. Os algoritmos patriarcais e racistas acham que o corpo das mulheres é um problema – quando não é usado em propagandas – e são coniventes com a violência contra as mulheres.

Aplicativos que transformam nossas vidas em lucro

Precisamos estar alertas. Hoje vemos, por exemplo, vários grupos de mulheres nas redes sociais trocando experiências para parar de tomar hormônios contraceptivos. Isso é positivo, considerando que, desde cedo e para qualquer coisa, nos receitam pílulas para a pele, para os pelos, para não engravidar. Interromper o uso da pílula, em muitos casos, significa não aceitar as imposições da indústria farmacêutica e do poder médico. E recuperar, no caso das mulheres heterossexuais, que a responsabilidade com a contracepção deve ser das duas pessoas envolvidas na relação sexual. Contudo, alguns aplicativos foram programados com a intenção explícita de reunir dados sobre a saúde das mulheres para entregá-los ao mercado. Isso demonstra que as tecnologias não são neutras e que algumas questões levantadas pelo feminismo são incorporadas para que as empresas tenham ainda mais lucros.

Um estudo do grupo Coding Rights analisou alguns aplicativos relacionados aos ciclos menstruais, que são usados por milhões de mulheres – em sua maioria adolescentes e jovens. Os aplicativos, como o Glow, usam a necessidade de autoconhecimento do corpo, defendida pelas feministas, para que as mulheres disponibilizem informações sobre seu cotidiano, seus sentimentos, hábitos alimentares e sexuais. Os incômodos com a menstruação e as vivências, desejos e práticas das mulheres são transformados em informações quantificáveis, que poderão servir para que as transnacionais farmacêuticas vendam mais medicamentos.

Esse estudo aborda muitas questões que são caras para essa nossa discussão desde uma perspectiva feminista. Somos nós quem produzimos as informações que se tornam valor quando apropriadas pelas empresas, seja nas redes sociais, nos aplicativos sobre menstruação ou naqueles que contam nossos passos e calorias. Esse é um tempo da nossa vida que é apropriado, como mais uma forma de trabalho não remunerado.

A nossa vida e o nosso comportamento são as mercadorias. As empresas donas dos aplicativos podem guardar nossos dados e usar conforme seja de seu interesse. Viramos números, fonte de lucro e propriedades das empresas, mas tudo isso acontece legitimado com um discurso de que podemos escolher e de que isso faz parte da nossa liberdade.”

Tomada da Alfândega [28/03]

TOMADA // MULHERES DE LUTA

sf (part fem de tomar) 1 Ato ou efeito de tomar. 2 Ato ou efeito de se apoderar de (cidade, fortaleza, navio, praça etc.) 3. Conquista.

Água vulva
alguma coisa gosmenta me habita
vontade uterina do mundo
Escorre
gosto de estar deitada a olhar minhas pernas e os pelos da virilha. Me lembram: sou mulher
por Helen Ábramo

Mulheres que lutam, mulheres de luta!
Esse é o tema de mais uma TOMADA do espaço público, uma programação multi para mulheres que são muitas, de muitas cores, caras, jeitos, corpos, peitos e paus.

_____________ PROGRAMAÇÃO

~ 17h-20h ~ Anti-loja de roupas : preço livre

~ 18h-20h ~ Jam Palco Aberto: instrumentos e microfone abertos para intervenções e alucinações político-sonoras [some com os teus, as tuas, traz o chocalinho]

~ 18h30-21h ~ Operação Resgate: rango de alimentos reciclados : preço livre

~ 20h-22h ~ CineMeioFio: com os curtas-doc “A vida que não cabe”, de Baruc Carvalho Martins; “Antonieta”, de Flávia Person e “Mulheres da Terra”, de Marcia Paraiso +
Roda de conversa ‘Mulheres no mercado de trabalho’ com mediação de Gabi Zabeu (Ocupa Obarco)

~ 22h-00h ~ Roda de coco ( Roda de coco na ilha do desterro)

_____________ LOCAL
Largo da Alfândega – Centro

_____________ QUEM CHAMA?
~ Ocupa Obarco
Ocupar e compartir! Obarco navega na cidade, propondo ocupações criativas de espaços e de recursos ociosos. Abandonos redistribuídos viram abundância.
~ ETC
O ETC usa ações diretas – em choque com as normas vigentes – para interferir no fluxo cotidiano. O grupo inquieta-se por provocar gradativos ruídos na frequência contínua que visa domesticar e despolitizar a relação entre corpo e cidade.

xxxx Evento com fins anti-lucrativos organizado de forma independente através de autogestão.

Tomar nosso espaço, retomar direitos, transformar tudo!

Quatro mulheres

Anita nasceu na serra no final dos anos 20, descendente de imigrantes Italianos trabalhava desde criança na venda ou no campo. Como oficio aprendeu a costura, como arte o crochê. Já “velha” para casar, conheceu um homem que por ela se apaixonou. Casamento? foi firme: só quando terminasse o curso de costura. Teve cinco filhos, que criou com disciplina e uma certa dureza. Teve salão de baile, cozinhou e costurou muito. Perdeu um filho muito jovem num acidente, e o companheiro, de melancolia, poucos anos depois. Ajudou a criar os netos, fez crochê para toda a família, cuidava da sua casa com orgulho. Viveu longos anos, sempre carregando no semblante um olhar altivo. Morreu com Alzheimer. Poucos dias antes de morrer, em um lapso de lucidez, disse ao neto mais novo “Lembra sempre de mim”.

Cora é filha de Anita. Seguiu o caminho dos estudos, com apoio de seu pai que lia muito e que acreditava em um mundo mais igualitário. Trabalhou na venda de um tio, onde aprendeu finanças. Se tornou Professora, acreditava que o conhecimento podia mudar o mundo. Viajou para longe, onde trabalhou em projetos sociais nos rincões do país. Se mudou para uma pequena cidade do interior e por lá montou um Jornal e uma Gráfica com os irmãos. Se apaixonou, mas não teve filhos. Perdeu seu grande amor em um acidente. Se formou em Jornalismo muitos anos depois de já exercer a profissão. Participa de um grupo de mulheres lideres e tem como legado o Jornal que criou, referência para a região e influência para as mulheres da família que decidiram seguir o rumo da tia.

Rosa é irmã de Cora. Saiu de casa com 12 anos e foi trabalhar na casa de um médico como babá da família. Sonhava em ser médica pediatra. Foi para a capital trabalhar na maternidade como recepcionista, para pagar o cursinho. Não passou no vestibular, mas descobriu que seu talento estava nas vendas. Vendia enciclopédias e revistas. Vendia tanto que ganhou um prêmio de melhor vendedora do país da editora para qual trabalhava. Se apaixonou e vivia uma vida nômade com seu companheiro. Gostava de independência e de praia. Teve um único filho. Montou uma empresa. Foi a primeira mulher a correr de carro no autódromo internacional da cidade. Tinha uma postura dura, as vezes até autoritária. Tinha que ser forte num mundo feito para homens, não podia demonstrar fragilidade, tanto é que todos a chamam de “Dona”. Criou seu filho com muito amor, mesmo com o pouco tempo que lhe sobrava. Se separou. Vive sozinha e mantém a empresa até hoje.

Ada era a única filha numa família de dois irmãos mais novos. Gostava de estudar e se interessava por informática. Quando criança, ganhou um computador de presente do seu pai. Trabalhou no comércio com 16 anos, queria independência e fazer faculdade de computação. Fez curso técnico em informática, onde ganhou a placa de melhor aluna. Queria trabalhar como programadora, mas todas as vagas de emprego diziam “somente homens”. Não tinha tempo para trabalhar e estudar, e deixou de lado a faculdade por um tempo. Trabalhou em uma empresa na área de suporte, onde se tornou gerente. Começou a fazer faculdade e comprou um apartamento próprio. Foi morar com o companheiro e nunca morou no apartamento que comprou. Queria ser programadora, largou o cargo de gerente para estagiar. Estagiou e se tornou uma programadora. Aprendeu a dirigir, algo que tinha muito medo, nutrido por muitos homens que a desestimulam. Depois que aprendeu, ensinou sua tia a dirigir. Era uma referência para a família. Se separou. Viajou de férias. Voltou e morreu meses depois num acidente de carro, muito jovem e talvez no melhor momento de sua vida.

Histórias de mulheres brasileiras e  “comuns”, que como tantas mulheres vivem e resistem em um mundo ainda tão desigual. Um mundo onde ainda é necessário um Dia Internacional da Mulher.

 

Personagens Escondidas

O filme Hidden Figures, de 2016, conta a história de três mulheres negras, integrantes do grupo segregado de “computadoras” na NASA, que conquistam seu espaço na agência durante a corrida espacial nos anos 1960. Elas sofrem cotidianamente discriminação por serem negras e também mulheres, e para piorar, num ambiente dominado pela arrogância masculina: a engenharia e a computação. As mulheres vêm realizando diversos feitos durante a história da humanidade, mas continuam sendo personagens deliberadamente escondidas, com suas histórias muitas vezes apagadas, quando não literalmente queimadas.

 

 

Oficina de programação Antipatriarcal (22/08)

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Você tem interesse em programação?
Tem curiosidade sobre eletrônica?
Quer compartilhar seus conhecimentos e aprender ainda mais?

Então, vamos nos encontrar e começar um espaço regado a muita tecnologia e voltado ao protagonismo das mulheres trans e cis, homens trans e pessoas não binarias.

Estamos propondo um espaço para programação e empoderamento. Não será exclusivo/fechado.

A oficina será iniciada pelo coletivo anarcotecnológico Mariscotron, e nesse primeiro momento faremos a reunião para conhecer as pessoas interessadas, as disponibilidades de horário e interesses em comum. A partir daí marcaremos nossas primeiras oficinas.

Data – 22/08. 14h.
Local – GEABIO /UFSC. Florianópolis – SC.

Se chover não se renda… Apareça, vai ter café quentinho!

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1679255548976701/

Dia Internacional da Mulher na Ponta do Coral (08/03)

Bamboles
A PONTA DO CORAL É PARA TOD@S!

Este domingo, dia Internacional da Mulher, será marcado por várias atividades à partir das 15 horas na Ponta do Coral – picnic, oficinas, cinema, bicicletada, conversas, música, jogos, etc.

Movimentos de Mulheres, Grupo Acontece – Arte e Política – LGBT, Frente Parlamentar Contra a Violência Contra a Mulher, Cine Amarildo, artistas, ciclistas, brincantes, gentes comuns estaremos todos ocupando a Ponta e fazendo cumprir a função social daquele espaço maravilhoso e que tem passado desapercebido por muitos.

Entendendo a importância da luta pela igualdade de direitos, pelo
reconhecimento e respeito das diversidades, pelo fim da violência contra as mulheres e homossexuais, o Movimento Ponta do Coral 100% Pública acolhe a todas e todos e convida a população em geral para participar desse dia de ocupação de um espaço que é público de direito.

Convide seus amigos e familiares.

Traga seu lanchinho, sua bicicleta, sua pandorga, seu violão.

Venha conhecer a ponta e nossa proposta de parque para o único espaço aberto que sobrou na região!

Como a prefeitura, de forma irresponsável e ilegal, abandonou a Ponta do Coral, estaremos dando continuidade à limpeza a partir das 10 horas da manhã.

Todos estão convidados! Tragam suas ferramentas!

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/788655484558452/