Ocupação Amarildo: uma nova frente de luta em Florianópolis

Há pouco mais de um mês, surgiu ao lado da rodovia que dá acesso às praias do Norte da Ilha de Florianópolis, uma luta por moradia. Não surgiu por acaso do destino ou por ocupação desordenada, mas fruto de um processo que vem se acumulando no histórico das cidades-empresas que ditam as regras de quem deve morar onde e como. Essa região do norte é conhecida por sua super valorização do comércio imobiliário e retém sua maior fatia dentro das políticas elitistas da especulação fundiária, ligada aos ramos do empreendedorismo turístico, político e da construção civil.

Algo mudou na Grande Florianópolis. A cidade conurbada não consegue mais exibir seu belo cartão postal de visita, com favelas e aglomerados em todos os cantos das vias de acesso, dentro e fora da cidade. Mesmo que os governos estaduais e municipais fogueteiam altos índices de desenvolvimento humano e adjetivos para a “capital turística do Mercosul”, a verdade é que toda uma tentativa de maquiagem urbana se desfaz com este novo contorno… de lutas e de dignidade.

A Ocupação Amarildo “surge” então neste contexto, com experiências recentes no Jardim Zanelatto, Serrinha, Chico Mendes, Ponta do Leal, Papaquara e tantas outras ocupações que se organizaram para fazer cumprir aquilo que na carta magna do país tem como prioridade: o direito à moradia como necessidade básica. Pela Frente Autônoma de Luta por Moradia entendemos que deixar apenas nas mãos do Estado esta função de prover a manutenção de seus estatutos, no que diz respeito à questão social da propriedade e da desapropriação por interesse social, devemos lembrar que o mesmo estado promulga ações, muitas vezes contrárias à natureza democrática. Sejam pela força policial, pelos poderes judiciários, pelos interesses econômicos dentro da política ou mesmo pela pressão empresarial, essa entidade torna-se refém de seus próprios aparatos legislativos e executivos. Esta nova área ocupada permaneceu décadas sem cumprir sua função social, inteiramente abandonada justamente por seus vários imbróglios que confirmam sua improbidade.

Diariamente chegam famílias inteiras na procura por um terreno e um teto, fugindo dos altíssimos custos do aluguel, muitas delas, vivendo de favores, outras nas ruas. Na total ausência de prioridade das políticas habitacionais, largas listas que há anos aguardam uma vez na fila, sequer são reconhecidas pelas instituições. Praticamente inexistem projetos sociais para aluguéis sociais provisórios, e quando surgem são insuficientes para a totalidade do problema da moradia, gerando eternas listas de esperas desses programas. Já é hora da sociedade inteira perceber este grave problema e não joga-lo para debaixo do tapete, como vem fazendo a grande mídia. A questão do direito à propriedade é muito maior do que outros que são comumente veiculados pelos canais.

Por isso, a FALM está ombro a ombro com xs que lutam por estes direitos, prestando toda solidariedade à Ocupação Amarildo para que haja definitivamente um combate frontal às políticas segregacionistas dos espaços urbanos. Esta luta se forja nas práticas e experiências da ação direta, na solidariedade mútua dos movimentos sociais. Repudiamos toda e qualquer ação contrária ao direito de manifestação e de ocupações. Trabalhadores e trabalhadoras, desempregados e desempregadas, sem-tetos, indígenas, todos e todas que lutam pelo direito à moradia, na organização de um movimento social forte e combativo, sem descanso para aqueles que pouco fazem.

Quando morar é um privilégio, ocupar é um dever!

Protestar não é crime!

FRENTE AUTÔNOMA DE LUTA POR MORADIA


1º Brechó do Núcleo de Mulheres da Ocupação Contestado

O Núcleo de Mulheres é um espaço autogestionado pelas Moradoras da Ocupação em conjunto com as militantes da FALM, que tem como intenção construir um espaço seguro, de apoio mútuo, escuta, respeito, reconhecimento, compartilhamento e autonomia. Especialmente ser um espaço político de exercício de consciência da nossa realidade social, onde articulamos as estratégias de luta a partir de nossas subjetividades e também onde se constrói o protagonismo da mulher na luta por moradia. Portanto é a partir de uma perspectiva de auto-organização que trabalhamos com conscientização política, desconstrução do imaginário sexista de submissão e a luta contra vulnerabilidade da mulher a partir da construção de espaços autogestionários e autônomos, como é o caso do núcleo, da cooperativa e da luta pela moradia.

No momento os encontros acontecem aos domingos com estudos e oficinas de artesanato, o que gera uma demanda de materiais (e por isso este evento). Essas oficinas também tem como intenção capacitar as companheiras na produção dos artesanatos para posteriormente confeccionar na cooperativa, gerando renda para as mulheres que não tem como trabalhar fora devida as várias realidades.

Portanto é nesse espaço que vêm se formando uma cooperativa feminina de artesanato com objetivo de trazer autonomia financeira.

Como a FALM não é financiada por nenhuma instituição pedimos a colaboração de doações de roupas, livros, utensílios de cozinha, materiais para artesanato (linha, agulha, tinta, tecidos, retalhos, etc.) para que possamos montar um brechó e arrecadar fundos para essas demandas.

Nosso Brechó acontece na Feira Livre de Rua na Rua João Pinto, Florianópolis – Centro (próximo a Travessa) todos os sábados das 9hs às 16hs.

A PARTIR DESTE SÁBADO JÁ TEREMOS ARTESANATOS FEITOS PELAS MORADORAS.

NO MOMENTO ESTAMOS ARRECADANDO BRINQUEDOS PARA A FESTA DE NATAL DA OCUPAÇÃO CONTESTADO E PEDIMOS COLABORAÇÃO DA COMUNIDADE.

“Não se pode matar a ideia a tiros de canhão nem amarrá-la”. Louise Michel

Arriba lxs que luchan!!!

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